Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

O Problema

O PROBLEMA

POR



Frater T.





(Euclydes Lacerda de Almeida)





















O problema para thelemitas não é nenhuma força externa. Nosso inimigo não é o Catolicismo Romano, ou o Judaísmo, ou o Budismo, ou o Protestantismo, ou as Seitas Evangélicas. Os inimigos de Thelema são aqueles indivíduos ou grupos que, pretendendo serem thelemitas, enganam as pessoas, estudantes, e se degladiam entre si, cada qual dizendo-se ser o possuidor da verdade.












Existem fortes indícios de que um número bastante significativo de pessoas estejam desiludidas, tanto das religiões organizadas como com a Ciência. Muitos dos que assim se encontram desiludidos voltaram-se para o Ocultismo e para o Misticismo, na esperança de encontrarem a verdade, e um significado maior para a Vida. Eles o fazem na crença de que o conhecimento direto da Ordem Cósmica e Iluminação é possível.

No caótico e materialista mundo da atualidade, das megápolis, das multinacionais, da globalização, do terrorismo internacional e da violência urbana, talvez seja uma incongruência falara de Ordens Mágicas, Fraternidades Místicas, Iniciação, etc. Porém, sob outro ponto de vista, isto também seja um engano, uma falta de perspectiva pois, assim penso, jamais em tempo algum o homem, ontologicamente falando, necessitou tanto de tais coisas, já que filosofias e religiões falharam em suas em suas metas; as últimas traindo seus propósitos originais, transformaram-se em empresas niveladas àquelas multinacionais, onde a primordial meta é o poder financeiro e político. Isto é, as diversas religiões optaram pelo poder temporal já que perderam, há muito tempo, o espiritual. Isto sacrificou a real procura da consecução espiritual em todos os níveis, e o re-ligare, que o real significado da palavra religião, tornou-se uma ilusão, onde homens e mulheres perdem seus verdadeiros valores como seres conscientes, e se ajoelham e se rastejam, de maneira ignóbil, ante “deuses demônios”, criados pela insensatez humana na procura de um remédio, mesmo que seja um entorpecente, para amenizar a dor que, provavelmente seja o fruto de sua própria ignorância.
Infelizmente, até onde posso avaliar, o mesmo fenômeno ocorre no âmbito das ordens mágicas, das fraternidades místicas e, até mesmo no próprio esoterismo visto como um todo, resultando na assunção de caminhos estranhos às suas intrínsecas naturezas. Particularizando minhas observações posso afirmar que o mesmo fenômeno ocorre da O.T.O., numa escala assustadoramente acentuada e crescente nos últimos anos, embora o fato seja cinicamente negado por algumas pessoas, e determinados grupos que, enceguecidos pela vaidade de seus egos inflamados, fecham os olhos para as realidades estampadas no contexto atual. São tolos tentando resolver equações do terceiro grau usando fórmulas inadequadas da Aritmética; isto é, tentam fazer “magick” sem levar em conta os teoremas da Natureza mesma. Entretanto, necessito justificar-me perante os leitores, por insistir neste tão discutido assunto, mas ainda não devidamente discutido e analisado. Faltam detalhes encobertos por grupos e pessoas agindo em defesa de seus interesses particulares, sem levar em conta aqueles de outros tantos estudantes que têm o sagrado direito de saber onde se encontra a verdade. Disso minha insistência.
Hoje, por vários motivos, imitações da O.T.O. liderada por Crowley têm surgido, e em grande número no mapa do contexto brasileiro e em outras terras. Abro aqui um parêntesis para esclarecer que a O.T.O. original não é aquela liderada por Crowly. A maioria das Lojas da O.T.O. original recusou-se a aceitar a Lei de Thêlema que surgiu em 1904, enquanto que a Ordem original foi criada em 1895 por Karl Kellner. Fim do parêntesis.
Isto parece ser um mistério: qual o motivo de surgirem tantas O.T.Os (criadas nesta avalanche de tolices surgidas à sombra de Thêlema)? A resposta é simples: ao que parece, todos dissidentes destas organizações tiveram, e ainda têm, o mau hábito de criar outras tantas organizações, levando o mesmo nome, para satisfazerem seus egos inflamados e feridos. Organizações espúrias; elas mesmas se auto-enganando e enganando os outros, no que diz respeito às suas realidades e às suas reais naturezas. Este fato assumiu tal grandeza, que sou forçado a concordar com certos pontos de vista existentes em um artigo denominado “Coroas de Papel”, escrito por uma ilustre estudiosa do assunto, muito embora ela lidere uma O.T.O. que, sob meu ponto de vista, não é a continuação daquela liderada por Crowley e, posteriormente por Karl Germer (Farter Merlim).
Neste contexto a que me reporto, destaco o parágrafo no qual esta estudiosa critica os “Rex Summus Sanctíssimus”, O.H.Os, Líderes, etc., surgidos no âmbitos das O.T.Os., criadas a toque de caixa em nossa terra e lá fora, por dissidentes inconformados – ordens dissidentes das dissidentes das dissidentes, e, assim, ad infinitum. Desejo, também, aqui esclarecer porque considero também a organização desta senhora como uma pseudo O.T.O. Minha afirmativa se estabelece no fato – conhecido por todos – que tal organização, chamada “Caliphado” (nome que não possui qualquer ligação com a O.T.O. Crowleyana ) mascarado como sendo a O.T.O. verdadeira, é um menstruo surgido pela pseudo autoridade de um tal “Himenaeus Alpha”, um homem que desejou ser admirado, carente de elogios, escravo de muitas outras coisas, que aguardou a morte de Crowley e Germer, seus superiores hieráquicos, para poder, sem quaisquer interferências superiores, realizar seus idióticos projetos: tomar posse de uma Ordem já em decadência, cujos membros largaram todo trabalho de valor, morreram ou se desligaram da organização.
O “Caliphado” representa uma grotesca imitação da O.T.O. Thelêmica. A O.T.O. passou para os planos internos desde a morte de Frater Saturnus XIº (Germer). A própria organização de Parzival XIº - o mais destacado discípulo de Germer – que tentou estabelecer, em nosso país, minguou, e também dividiu-se em várias facções antagônicas após a morte dele. Claro, cada uma delas dizendo-se única, verdadeira, etc. Neste grupo temos a S.O.T.O., com sede (se ainda existe) em Ribeirão Preto (S.P.), liderada por Fra. Libra (não tenho certeza e esta organização ainda está ativa). Outra S.O.T.O. (USA) liderada por uma Fra. Sphinix (David Berson). Sphinix, proclama-se herdeiro de Marcelo Motta. Isto não é verdadeiro. No testamento de Marcelo Motta estão nomeados apenas três pessoas: Claudia Canuto, uma dessas três pessoas, renunciou. A renuncia foi formalizada em documento assinado em 21 de dezembro de 1989, nos seguintes termos:
“Eu Claudia Canuto de Menezes, do Brasil, não aceito nenhuma parte de uma custódia de bens de três partes que nomeou Daniel Bem Stone, dos Estados Unidos, Willian Robert Barden, da Austrália, e eu, entitulada Escritura de Bens e assinada por Marcelo Ramos Motta, do Brasil, em 15 de outubro de 1984”

Amor é a lei amor sob vontade

Assinatura

Robert Barden criou a “Fundação Parzival XIº”, na Austrália, e Daniel Bem Stone se dia, atualmente, o único real seguidor de Marcelo Ramos Motta, no que diz respeito à A.´.A.´..
Recentemente, Claudia Canuto, pronunciou-se sobre alguns pontos referente a Fra. Zarathustra, em carta datada de outubro de 2000, dirigida ao Sr. Marcelo Santos. Ali está escrito:

“Talvez as pessoas perguntem porque ninguém foi apontado para a chefia da Society Ordo Templi Orientis por Canuto e Barden (este logo quis por as mãos na Sociedade, sem se importar com que os outros pensavam: eu digo, porque ninguém estava apto pra isso”

E pressegue:

“Uma das poucas pessoas de quem Marcelo Ramos Motta se orgulhava era alguém conhecido como Frater Zaratustra, na O.T.O. e como Frater Thor na A.´.A.´. (sei que você sabe de quem estou falando, mas prefiro me referir a ele desta maneira, por respeito ao fato de ele ter sido meu primeiro instrutor). Alguns meses antes de falecer me indicou que Zaratustra tinha sido treinado como um soldado e que só um soldado saberia como conduzir a tropa quando ele se tornasse coronel...”

Segundo um comentarista cujo nome não foi divulgado, “em 21 de dezembro de 1987 Claudia Canuto desligous-e de Barden e Stone, e trouxe David Berson (Sphinix) que viveu com ela. Berson, segundo fui informado, recebeu treino de Richard Gernon Jr. (1949-1989), que também iniciou Martin Starr, de J.D.Gunther e do próprio Marcelo Motta. Berson revelou líder da O.T.O., Xº, “Frater Superior do Mundo Inteiro”. Ray Eales encaminhou, para a A.´.A.´. Barden, Stone e também W. Heidrick, este espulso por Berson, que acusou Stone de ter exumado o corpo de Motta incinerando-o. (Esta afirmativa não tem sentido algum, é uma mentira sem limites. Marcelo Motta foi enterrado na Cidade de Teresópolis. Depois de passados cinco anos seus ossos exumados e colocados no ossuário do cemitério daquela cidade. Eu mesmo estive no local em 1994. Berson também expulsou Willian Barden da O.T.O. e da A.´.A.´. (outra grande mentira: uma das regras da A.´.A.´. é que Ordem não expulsa ninguém. Ela apenas corta os laços com os discípulos que não seguem as regras ou que não honram seu Juramento) em setembro de 1988. De sua parte, Barden, expulsou Satone, apropriou-se dos arquivos de Motta e criou a Fundação Parzival XIº, nos inícios dos anos 90, na Austrália.
Em 1985, dois anos antes de sua morte, Marcelo retornou ao Brasil já com a saúde abalada, segundo informações de terceiros. Seu testamento deixa, como já dito, a responsabilidade da S.O.T.O. nas mãos de Claudia, Brden e Daniel. Este mesmo documento descreve Martin Starr como traidor.
Martin Starr iniciou-se na A.`.A.`. (atravéz Guenon) em 1976, assumindo o moto “Meithras”. Durante algum tempo destacou-se como um favorito estudante de Motta. Em 1979 tornou-se “Diretor” de seu próprio ramo da O.T.O.


Entretanto, janeiro de 1985, Starr, subitamente virou-se para o “vitorioso” Caliphado, após Motta perder seu caso contra Samuel Weiser em 1984. Ele justifica esta mudança de lado dizendo que Motta perdera su objetividade. Sem dúvida alguma, foi graças aos depoimentos de Starr, em tribunal, que o Caliphado ganhou a causa contra Marcelo Motta. Enquanto W. Breeze, agora usando toda oportunidade de apresentar Starr como leal ao Caliphado, Starr questionava seriamente o Caliphado, estabelecendo que este tinha pouco uso para ele como uma organização. Suas idéias de quem realmente deveria ser o O.H.O. são bastante claras: Metzger, embora adicionasse que “Agora acredito que Germer, em seu leito de morte, pretendia apontar Marcelo Motta como o O.H.O.”
O panorama nos Estados Unidos da América é mais ou menos este: temos o Caliphado de McMurtry, agora liderada por Hymenaeus Beta, que é a organização que possui o maior número de membros (no entanto é dito que quantidade não é qualidade). Em seguida vem David Berson, liderando a S.O.T.O. (existe outra S.O.T.O., liderada por Barden na Austrália e, finalmente Ray Eales, dirigindo a H.O.O.R. . Claro que existem outras organizações menores (“Thelemicas”) dizendo-se a verdadeira O.T.O., mas que não apresentam a menor importância no contexto geral para nosso trabalho. Ray Eales sendo o único que não deu à sua organização o nome Ordo Templi Orientis. Não discordo que ele seja um adiantado estudante, mas somente em um estrito limite, que se encontra em sua habilidade de dizer um monte de coisa alguma.
Na Inglaterra reina Kenneth Grant com sua O.T.O. “Typhoniana”.
No período de 1975 a 1986, envolvi-me, por várias circunstâncias, com a O.T.O. Typhoniana, liderada por Fra. Aossic Aiwass (K.G.), na Inglaterra. É dito ser a meta da organização inglesa transformar a O.T.O. em um alto e especializado veículo de energia mágica que Aleister Crowley havia intuído desde 1945. Mas, na verdade, a idéia inicial de Kenneth Grant era fazer uma reforma na O.T.O., seguindo os próprios ditame de Crowley a seu sucessor Carl Germer. Esta reforma foi feita e deu à O.T.O. uma grande semelhança com a A.`.A.`. (mas só semelhança). Esta idéia inicial foi desviada para caminhos exóticos. Nestes caminhos, Kenneth Grant, insiste em tomar o ficcional Necronomicon, de Lovecraft, e o inteiro mito que ele criou, de maneira séria, a respeito do fato de que o próprio Lovecraft, em inúmeras ocasiões, tenha dito claramente que toda sua literatura não passava de fantasia. O famoso Necronomicon é um livro criado por um dos mestres da Literatura Fantástica e de Horror. Howard Phillips Lovrecraft (1890-1937). Ele, juntamente com o chamado “Círculo de Lovecraft” (amigos e escritores dedicados ao gênero fantástico) criaram o universo literário conhecido como “O Mitos de Cthulhu”, no qual um dos elementos principais é o Necronomicon. Livro maldito onde se relata a origem e advento dos “Primitivos” mediante parábolas e profecias, assim como as fórmulas, símbolos arcanos, etc., para tira-los de sua letargia provocada pelos “Arquétipos”. O título original do Necronomicon e´ Al Azif. Azif é uma palavra árabe que designa um ruído noturno (produzido por insetos) que se supõe ser o uivo do demônio.
No entanto, Grant, clama que Lovecraft inconscientemente entrou em contato com um tipo de “grimório primitivo”, e por isso passou a identificar os “Secretos Chefes” ou “Mestres ocultos” com os “Antigos” da ficção de Lovecraft, primitivos monstros extra-dimensionais de uma inumana e oculta natureza, cuja única razão de procurar entrar ou re-entrar nossa dimensão, seria para destruir a humanidade e tudo que nos é mais caro, para gratificar seus monstruosos egos. Grande material para ficção. Mas as criações ficcionais de Lovecraft são antíteses dos Chefes Secretos. O que Grant tem procurado fazer com Thelema (e a O.T.O. em particular) é, praticamente, a mesma coisa que “satanistas” têm feito ao Cristianismo (e outras religiões e filosofias esotéricas) – revirá-las de pernas para o ar, e de dentro para fora, para servir seu querido ego pessoal e as forças qliphoticas que o dominam. Suas mudanças não são aquelas que Crowley intuiu para a O.T.O.: é o reverso disto, a perversão de Thêlema. E nada do que Grant fez durante décadas seria sancionado por Crowley ou Karl Germer.
Infelizmente aqui no Brasil, existem grupos que sancionam a O.T.O. Typhoniana e, ainda mais, procuram estabelece-la em nosso solo a revelia do aval de Kenneth Grant. Particularmente, devo lembrar a um desses grupos o que o próprio Grant declarou recentemente a respeito de ligações suas com organizações brasileiras (a declaração é datada de 25 de outubro de 1999, e está assinada por ele, Michael Stanley e uma Sóror Artemis).

“New Isis Lodge was founded by Grant in the year 1955 e.v.
as a cell of the Ordo Templi Orientis (O.T.O.). The Lodge
ceased functioning in the year 1962 e.v.. Since that date claims
all the Lodge´s continued manifestation or it revival, are
invalid”


Pelo aqui escrito poderemos avaliar afirmativas oriundas de um certo grupo, quando afirma estar em “contato” com Kenneth Grant ou com o filho deste. Mas não com Michael Stanley que é o substituto oficial de Grant.
Mas, de uma certa forma, este grupo nos favorece, sobre maneira, em sua fúria de se tornar conhecido nas paragens thelemicas, expondo alguns fatos como, por ecemplo, a respeito da Loja Nova Isis, existente no Brasil. Segundo este grupo “... essa não segue realmente os preceitos da OTO Typhoniana. Eu descobri isto porque em sua cronologia dos graus existe um Grau Minerval, grau estrito do Caliphado”. De fato, a mania de alguns “thelemitas” se afirmarem isso e aquilo, ou se dizerem estar ligados a este ou aquele ramo da O.T.O., mas sem estar, tem criado inúmeros problemas. Alguns desses arrolando o próprio autor deste texto. Neste caso foi preciso que um dos colegas do autor publicasse uma circular, para estabelecer e terminar com certas maquinações que, de uma maneira ou de outra, criaram um clima de desagrado entre ele e os dirigentes da O.T.O. Typhoniana. O arquiteto desta maquinação ignóbil não teve outra meta senão criar mais uma confusão entre thelemitas. Mais um problema que se adiciona a vários outros no contexto da O.T.

Terça-feira, 27 de Maio de 2008

Meu Caminho
Por: Euclydes Lacerda


Esta é a última fase de minha vida.
Morrerei brevemente já o sei. Ela, a Dama Vestida de Negro; virá me buscar entre dores e feridas no meu coração, no corpo e na Alma;. a espada Dela ceifará o ultimo alento de minha vida, como o raio do céu faísca na imensidão. E a esta Dama me abraçarei amorosamente ,sentindo o calor e o odor Universal da Energia da Vida, pulsando em seus seios. Morrerei num orgasmo Infinito. Posso afirmar isto porque ja vivenciei um rápido encontro com Ela, que foi o suficiente para compreender bem o sentido da Vida e da Morte. Vivi bem minha existência neste mundo. Lutei como um bravo guerreiro, venci batalhas e outras perdi, e realizei muitos de meus projetos e sonhos ; nem todos, evidentemente, mas alguns dos mais importantes. Não andei pelo mundo como um alienado, rumo e sem uma filosofia de vida. E esta filosofia, guiando meus passos, devo a um homem, que foi meu Instrutor espiritual, Mestre na Grande Arte e Amigo. Ele já entregou seu corpo à terra, e seu espírito, liberto, subiu para o Grande Mundo, onde somos um com Ele. Até hoje tenho gravada na memória, e coração, a sua figura altiva, libertária e em plena consciência de seus deveres, não só para seu país mas também com a humanidade inteira. Dizem que eu o idolatro. Não. Isto não é verdade. Tenho por ele um salutar respeito e carinho todo especial. Mostrou-me ele, com sua palavra franca e enérgica minhas possibilidades de vida minhas virtude e defeitos. Se não segui todos seus ensinamentos foi porque, na época de nosso eu ainda era muito jovem para medir e avalia-los com profundidade. Mas não me arrependo. Cada ser humano tem sua órbita, e eu simplesmente segui a minha, e este foi seu maior ensinamento: sejas o que tu és. Com certeza eu o admirava muito. Tínhamos um relacionamento bem definido, no qual se destacava respeito mútuo, e amizade profunda.
Hoje tenho 71 anos agora. Estou condenado a morrer da pior maneira mais triste, e ele previu isto com anos de antecedência. Mas seja qual for este destino mesmo dou Glorias a Adonai que, certa vez, senti o seu toque de amor. Desde aquele dia não mais duvidei de sua existência, e de sua presença, muito embora, as vezes, minha mente educada para o “racional” repelia esta crença. Mas no final vi que não era vã crença, mas certeza. E todo este caminhar estava escrito nas estrelas milhões de anos antes d eu nascer nesta terra de humanos. Sou geminiano, e isto é muito complicado, como todo ser nascido sob este signo não desconhece. As vezes somo Castor e as vezes Polux. Entre todos os toques que recebi na minha vida, o dele foi o mais forte. Mais a frente a isto tive um outro toque, Este toque é que me conduziu através estes últimos anos no mundo. Pois Ele, desta vez, apresentou-se em sua forma feminina, na figura da mais terrível, sedutora e amorosa Deusa Universal: Bhavani Khali, a deusa negra que baila sobre os corpos de seus adoradores e amantes. E se alimenta do sangue deles. Não do sangue material rubro que corre em nossas artérias, mas daquela outra energia existente em nos todos. E toda vez que eu contatava com esta energia, eu pedia que ela me destruísse num abraço de amor, para que eu pudesse livrar-me das amarras me prendendo a este Reino que se apraz em nos iludir. Somente Ela pode nos livrar destas amarras. Mas esta liberdade vem com muitas dores e sofrimentos. Então. Em primeiro ela tirou-me a preciosa seiva dos homens. Não satisfeita feriu-me o coração, e minhas esperanças. E, agora, quatorze anos depois deste toque, ela esta concretizando sua amorosa presença. Morrerei sem uma mágoa sequer. Vivi bem. A vida tem que ser vivida integralmente sem lamurias e não confiante na enganadora luz da mente disfarçado-a em um mar de rosas, isto é para os fracos. Ela tem que ser agradecida em quaisquer circunstâncias, pois é um presente do Universo.
Recentemente a vida me proporcionou a oportunidade de conhecer e amar uma mulher. Este novo e forte amor está me tirando do calvário em que eu vivia. Sendo mais jovem do que eu, ela vibra de energia e me concede o sonho de vivenciar toda a beleza que uma mulher pode oferecer a um homem. Alem de amor tenho por ela imenso carinho, por que ela representa minha última réstea de luz nesta derradeira fase, em que o homem perde parte de sua pujança como ser. Eu a reverencio e lhe presto homenagens as mais verdadeiras e fortes. Espero viver mais algum tempo para poder continuar a reverenciá-la e dar-lhe meu ultimo alento de amor. Muitos pensarão que estou enlouquecido, e se isto é verdade é a mais sublime loucura que um homem pode desejar. Ela é como a luz da lua que suavemente banha as pradarias e resplendece nas montanhas.
Com ela tenho tido os mais suaves encontros de amor. E duvido que haja homem mais feliz do que eu quando nos beijamos e sorrimos um para o outro..Nestes momentos perco-me em seus profundos e brilhantes olhos negros e dou graças a Adonai por coloca-la em meu caminho.

Na Grandeza da Tristeza

Paulla Mel - Malévola
Por Euclydes Lacerda



Na Grandeza da Tristeza
Um Ardor latente em seu peito.
No Despertar da madrugada,
Amargura o teu Ser
Grandiosa malevolência


Nos Ciclos da Vida, tu te insinuas, e logo depois te retrais. No jardim tu és aquela flor se abrindo para a abelha. Ofereces o doce néctar de tuas pétalas, mas escondes o abraço envolvendo a abelha num aperto constritor mortal. Ó minha amada, se inspiras o paraíso e eu vou na busca das delícias deste lugar, tu fechas os portais do êxtase nunca imaginado, deixando-me ali estático sem fôlego e o desejo ardendo em meu trêmulo corpo.
Tu és aquela, em cujos pés, colocamos nossas cabeças, entretanto tu as pisas indolentemente sem ao menos olhar para baixo, e sem quaisquer sentimentos em teu olhar. Entretanto tu também estás sozinha nesta solidão e transformas a montanha em deserto onde o vento sopra gélido.
Quando tu beijas, consomes nossos medos, mas plantas as dúvidas quanto ao teu pensar.
Tu és malévola em tuas bruscas mudanças de humor.
Momentos há em que teu sorriso ilumina o mundo, momentos a rigidez de teus lábios levam-me ao mais profundo abismo do amor não correspondido.
Por que? Pergunto eu, o enamorado
Porque eu sou assim, respondes. Luz e Trevas, promessas e desilusões.
Mas a vontade esperançosa de te ter, abraçar-te e beijar-te num último alento de vida viril, supera minha desilusão e meu temor perante tuas manhas de felina insinuante.
Sutil és tu, em tuas ações e palavras. Sutil és tu em teus rápidos beijos. Porém, quando beijas profundamente acendes o sol que ilumina minha vida.
Tuas amigas te temem, porque vives entre a luz e a cidade das trevas.
Te apraz dançar com os requebros sensuais, mas embora teu dançar indique as delícias de um abraço apaixonado, no momento seguinte tu induz à frieza de um coração, gélido e pétreo.
Ó Malévola, consuma meus medos, lança-me através do movimento do Tempo. Torne-se minha carruagem divina.
Amada minha, tu és brilhante como fogo, lânguida como o luar. Teu fogo devorador me enlouquece, tua meiga luz lunar me dá paz, mas tua sombra me envolve e me arrasta à profundeza mais sombria de minha vida.
Na forma do deseja não saciado, tu ofereces as trevas como nuvens negras do inverno obscurecendo o sol, e dá nascimento à Lua Negra que tanto me atraiu e atrai desde o início dos tempos. No pináculo da paixão tu te elevas triunfante sobre minha vida. Assim completas tua malévola tarefa.
No terreno sexual tu falas de um modo, ages de outro.

O mundo é o mundo
O amor e vida são profundos
Assim como os céus são violentos
Eles plasmam tua malevolente natureza

Subitamente percebi, a Deusa Negra encarnada em ti, como um ser malévolo, cuja influência me faz debater-me num êxtase mortal
Amo-te e odeio-te num ciclo interminável de Aeons.

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

Tao Teh King - Parzival

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O
TAO TEH KING




O Tao Teh King foi escrito aproximadamente quinhentos anos A.C. (a chamada Era Cristã). Foi escrito por um homem chamado Lao Tse, Lao Tan ou Lao Kun. Este homem tinha mais de oitenta anos de idade quando escreveu o Tao. Ele fora durante muitos anos Curador da Biblioteca Real, cargo muito importante. Desgostoso com a decadência da arte de governar na China, e principalmente com a conduta de seu rei, Lao resolveu deixar o país. Tinha, repito, pelo menos oitenta anos de idade, e nunca pusera pé fora da China. Mas, resolveu ir viver na Mongólia, e dirigiu-se para a Grande Muralha solicitando passagem ao Guardião das Bordas.
Lao Tse nunca escrevera coisa alguma; no entanto era considerado um dos mais profundos pensadores da nação. O Guardião das Bordas informou-o, com aquela sutileza característica chinesa,, de que não podia permitir que um homem de sua capacidade passasse as fronteiras sem deixar algo que resumisse, para as gerações futuras, o seu pensamento e a sua sabedoria. Citou inclusive uma antiga lei de que não era permitido a nenhum letrado que tivesse ocupado posição oficial na hierarquia governamental deixar o país sem codificar antes, para a Biblioteca Real, um testamento intelectual e político.
Este gesto do Guardião das Bordas foi sutil porque Lao Tse era um Mestre do Tao, cuja principal característica é o silêncio, e não teria, em quaisquer outras circunstâncias, escrito coisa alguma. Mas haviam três razões fundamentais, na condição imposta pelo Guardião das Bordas, suficientes para fazer falar um taoista. Primeiro, o Guardião estava citando uma lei; segundo, o Guardião estava lembrando a Lao Tse que este havia, até bem recentemente, sido Bibliotecário Real, e era, por assim dizer, uma conseqüência deste cargo que lhe fosse requerido escrever algo para a biblioteca; e terceiro, Lao Tse queria sair da China, e ir para a Mongólia, e a maneira mais fácil, mais eficiente, mais silenciosa de conseguir este desejo, no momento, falar. E, portanto, Lao Tse “falou” – isto é, escreveu o Livro do Tao. Assim Lao Tse entrou na Mongólia inóspita e selvagem, contra as investidas de cujas tribos os civilizados chineses haviam levantado aquela maravilha nunca ultrapassada em matéria de fortificação, a Grande Muralha.
De que trata o Livro do Tao? Da arte de governar – a arte mais simples e mais negligenciada do mundo; a arte que, enquanto foi praticada na China, conservou viva e unida uma cultura durante sete mil anos – mais tempo do que qualquer outra nação jamais perdurou na história da humanidade. Lembro aqui que mesmo o Egipto durou menos – seus registros não alcançam além de cinco mil anos. Em terceiro lugar vem o Japão.
Lao Tse escr4veu o livro tendo em mente o seu rei (cuja conduta o desgostara a tal ponto que resolvera deixar a China) e os futuros reis da China – não diremos na “esperança” de que lhe seguissem os conselhos, mas para outorgar-lhes a oportunidade de assim fazerem, se o quisessem. Porém, os governantes da China não quiseram seguir os conselhos da Lao Tse – e o resultado foi que uma nação que durara sete mil anos foi conquistada em poucos séculos pelos bárbaros da Mongólia, e transformada no império dos Khans. Talvez seja apenas pura coincidência, o fato que Lao Tse saiu da China para ir morar na Mongólia.
A primeira condição fundamental de se governar bem uma nação é aprender a governar a si próprio.
Isto é um truísmo, e os truísmos são frequentemente desprezados. Mas os Livro da Tao, como qualquer um pode verificar, ensina a fazer precisamente isto; e é, nas palavras dos sábios, “a suprema obra prima da sabedoria iniciática.
Este definição – sabedoria iniciática – pode levar o céptico e o materialista a desconfiarem de que este Livro do Tao é uma tolice mística sem valor. Isto é lamentável, pois são precisamente o céptico e o materialista quem mais pode lucrar com a aplicação prática dos preceitos de Lao Tse. Digo isto porque observo que cépticos e materialistas são, em geral, homens profundamente inteligentes, moralmente corajosos ( é necessário ter muita coragem para se viver sem o apoio da Imagem Paterna, usualmente chamada de “Deus”) e eminentemente práticos, justamente o tipo de homem que mais sucesso teria governando, e que de mais benefício seria ao povo se assumisse o governo.
Longe se ser uma tolice mística, o Livro do Tao é um conjunto de preceitos eminentemente práticos, que devem ser aplicados na vida diária de cada um que deseje conhecer aquela realidade que Lao Tse chamou de Tao, e os quais infalivelmente, assim aplicados, produzirão resultados imediatos e surpreendentes.
Mas como isto é possível? Perguntarão o céptico e o materialista. Como posso eu, “sem fazer nada”, conseguir aquilo que quereria fosse feito? Como posso eu, “ocultando-me”, brilhar? Como posso eu melhorar a vida do povo “calando-me”? Como posso eu chegar a uma posição de mando sem lutar, sem falar, sem obrar?
A base da doutrina do Tao é a seguinte:
O Universo é um contínuo. Todos os homens existimos como concentrações de energia, ilhas, por assim dizer, na mar eterno do Cosmo. Um fio de unidade básica nos une, uma harmonia universal rege a todos os nossos destinos; se quisermos, podemos dizer que estamos todos, em um certo nível de consciência, em estado de empatia uns com os outros. Nossa mente consciente não percebe, em seu estado normal na maior parte de nós, esta constante comunicação, esta constante empatia; mas nem por isto deixa o nosso inconsciente, em um certo profundo nível, de senti-la e experimenta-la. De fato, toda comunicação entre seres humanos seria impossível se um tal laço não existisse; pois a linguagem, como prova a lógica, não é um processo eficiente de comunicação de idéias; é, em si, um processo desconexo a absurdo, uma simples convenção que depende, para seu uso, de uma concordância mútua entre as mentes que a empregam.
Esta tese – o Universo é um contínuo – é básica no estudo da Física, e não é nem mesmo pela teoria dos quanta – pois os quanta necessitam, eles mesmos, de um campo para sua propagação.
Sendo o Universo um contínuo, estando os homens em constante comunicação uns com os outros, segue que não é necessário falar para nos comunicarmos com nosso próximo. Pelo contrário, existe um método mais eficiente de comunicação, que consiste em utilizar este “fio” de empatia que nos une uns aos outros e que nos faz, por assim dizer, irmãos. Este fenômeno não deve ser confundido com telepatia, que é uma atividade da mente consciente, e da qual Lao Tse teria desaprovado tanto quanto de qualquer outra forma de distúrbio.
Mas desde que este “fio” existe em um nível de nossa consciência do qual, o nosso normal estado, nós não nos tornamos cônscios, é preciso que, se quisermos utiliza-lo para comunicação, nós abandonemos os métodos “normais” de comunicação e, neste nível “normal”, nos calemos.
Esta tese, aparentemente assombrosa, é um fato, mas deve ser verificado pela prática, e a verificação é sempre individual. É inútil acreditardes no que digo – a sua fé em mim não te tornará capaz de “falar silenciosamente” ao teu próximo. É preciso que apliques as regras de Lao Tse, e que as verifique, por tua própria experiência, a realidade do que foi dito.
Mas – tu dirás – eu quero governar os homens diretamente. Eu quero sentar-me sobre um trono. Eu quero ser eleito presidente da república, pois o que está aí não serve.
Ah!.... Isto é o que tu queres, ou antes que pensas que queres; MAS SERÁ ISTO O QUE O UNIVERSO QUER?
Em outras palavras: nós “pensamos” que o povo necessita que nós o governemos; mas será que o povo necessita realmente disto. Nós queremos governar o povo; mas será que o povo QUER SER GOVERNADO POR NÓS?
Pois o TAO é a realidade intrínseca das coisas; é só pode se tornar governante de um povo aplicando o TAO aquele que é, numa determinada estação do Movimento Universal o governante natural e necessário daquele povo.

Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

A Voz da Deusa, Euclydes


A VOZ DA DEUSA



Eu sou aquela última réstea de luz ao por do Sol.
Sou a brancura da Lua erguendo-se ornada de Estrelas
Estou na Espuma do Mar, embebedando a orla da praia.
Sou a Rosa que se abre ao Beijo do Sol.
Mas, também, me encontrarás no veneno da Serpente que se enrosca no bote fatal.
Sou Bela e Horrível como a Vida
Estou na Dinâmica da Vida e na Estática da Morte
Sou Afrodite e a Hidra das lendas antigas.
Estou no Afago amoroso dos Amantes, e no brilho do Punhal que fere.
Sou Branca e Sou Negra
Sou Mãe e Prostituta
Se queres Me amar, deves amar todo o Universo.
Pois Eu Sou Nuit Nu Bhavani Kali