O PROBLEMA
POR
Frater T.
(Euclydes Lacerda de Almeida)
O problema para thelemitas não é nenhuma força externa. Nosso inimigo não é o Catolicismo Romano, ou o Judaísmo, ou o Budismo, ou o Protestantismo, ou as Seitas Evangélicas. Os inimigos de Thelema são aqueles indivíduos ou grupos que, pretendendo serem thelemitas, enganam as pessoas, estudantes, e se degladiam entre si, cada qual dizendo-se ser o possuidor da verdade.
Existem fortes indícios de que um número bastante significativo de pessoas estejam desiludidas, tanto das religiões organizadas como com a Ciência. Muitos dos que assim se encontram desiludidos voltaram-se para o Ocultismo e para o Misticismo, na esperança de encontrarem a verdade, e um significado maior para a Vida. Eles o fazem na crença de que o conhecimento direto da Ordem Cósmica e Iluminação é possível.
No caótico e materialista mundo da atualidade, das megápolis, das multinacionais, da globalização, do terrorismo internacional e da violência urbana, talvez seja uma incongruência falara de Ordens Mágicas, Fraternidades Místicas, Iniciação, etc. Porém, sob outro ponto de vista, isto também seja um engano, uma falta de perspectiva pois, assim penso, jamais em tempo algum o homem, ontologicamente falando, necessitou tanto de tais coisas, já que filosofias e religiões falharam em suas em suas metas; as últimas traindo seus propósitos originais, transformaram-se em empresas niveladas àquelas multinacionais, onde a primordial meta é o poder financeiro e político. Isto é, as diversas religiões optaram pelo poder temporal já que perderam, há muito tempo, o espiritual. Isto sacrificou a real procura da consecução espiritual em todos os níveis, e o re-ligare, que o real significado da palavra religião, tornou-se uma ilusão, onde homens e mulheres perdem seus verdadeiros valores como seres conscientes, e se ajoelham e se rastejam, de maneira ignóbil, ante “deuses demônios”, criados pela insensatez humana na procura de um remédio, mesmo que seja um entorpecente, para amenizar a dor que, provavelmente seja o fruto de sua própria ignorância.
Infelizmente, até onde posso avaliar, o mesmo fenômeno ocorre no âmbito das ordens mágicas, das fraternidades místicas e, até mesmo no próprio esoterismo visto como um todo, resultando na assunção de caminhos estranhos às suas intrínsecas naturezas. Particularizando minhas observações posso afirmar que o mesmo fenômeno ocorre da O.T.O., numa escala assustadoramente acentuada e crescente nos últimos anos, embora o fato seja cinicamente negado por algumas pessoas, e determinados grupos que, enceguecidos pela vaidade de seus egos inflamados, fecham os olhos para as realidades estampadas no contexto atual. São tolos tentando resolver equações do terceiro grau usando fórmulas inadequadas da Aritmética; isto é, tentam fazer “magick” sem levar em conta os teoremas da Natureza mesma. Entretanto, necessito justificar-me perante os leitores, por insistir neste tão discutido assunto, mas ainda não devidamente discutido e analisado. Faltam detalhes encobertos por grupos e pessoas agindo em defesa de seus interesses particulares, sem levar em conta aqueles de outros tantos estudantes que têm o sagrado direito de saber onde se encontra a verdade. Disso minha insistência.
Hoje, por vários motivos, imitações da O.T.O. liderada por Crowley têm surgido, e em grande número no mapa do contexto brasileiro e em outras terras. Abro aqui um parêntesis para esclarecer que a O.T.O. original não é aquela liderada por Crowly. A maioria das Lojas da O.T.O. original recusou-se a aceitar a Lei de Thêlema que surgiu em 1904, enquanto que a Ordem original foi criada em 1895 por Karl Kellner. Fim do parêntesis.
Isto parece ser um mistério: qual o motivo de surgirem tantas O.T.Os (criadas nesta avalanche de tolices surgidas à sombra de Thêlema)? A resposta é simples: ao que parece, todos dissidentes destas organizações tiveram, e ainda têm, o mau hábito de criar outras tantas organizações, levando o mesmo nome, para satisfazerem seus egos inflamados e feridos. Organizações espúrias; elas mesmas se auto-enganando e enganando os outros, no que diz respeito às suas realidades e às suas reais naturezas. Este fato assumiu tal grandeza, que sou forçado a concordar com certos pontos de vista existentes em um artigo denominado “Coroas de Papel”, escrito por uma ilustre estudiosa do assunto, muito embora ela lidere uma O.T.O. que, sob meu ponto de vista, não é a continuação daquela liderada por Crowley e, posteriormente por Karl Germer (Farter Merlim).
Neste contexto a que me reporto, destaco o parágrafo no qual esta estudiosa critica os “Rex Summus Sanctíssimus”, O.H.Os, Líderes, etc., surgidos no âmbitos das O.T.Os., criadas a toque de caixa em nossa terra e lá fora, por dissidentes inconformados – ordens dissidentes das dissidentes das dissidentes, e, assim, ad infinitum. Desejo, também, aqui esclarecer porque considero também a organização desta senhora como uma pseudo O.T.O. Minha afirmativa se estabelece no fato – conhecido por todos – que tal organização, chamada “Caliphado” (nome que não possui qualquer ligação com a O.T.O. Crowleyana ) mascarado como sendo a O.T.O. verdadeira, é um menstruo surgido pela pseudo autoridade de um tal “Himenaeus Alpha”, um homem que desejou ser admirado, carente de elogios, escravo de muitas outras coisas, que aguardou a morte de Crowley e Germer, seus superiores hieráquicos, para poder, sem quaisquer interferências superiores, realizar seus idióticos projetos: tomar posse de uma Ordem já em decadência, cujos membros largaram todo trabalho de valor, morreram ou se desligaram da organização.
O “Caliphado” representa uma grotesca imitação da O.T.O. Thelêmica. A O.T.O. passou para os planos internos desde a morte de Frater Saturnus XIº (Germer). A própria organização de Parzival XIº - o mais destacado discípulo de Germer – que tentou estabelecer, em nosso país, minguou, e também dividiu-se em várias facções antagônicas após a morte dele. Claro, cada uma delas dizendo-se única, verdadeira, etc. Neste grupo temos a S.O.T.O., com sede (se ainda existe) em Ribeirão Preto (S.P.), liderada por Fra. Libra (não tenho certeza e esta organização ainda está ativa). Outra S.O.T.O. (USA) liderada por uma Fra. Sphinix (David Berson). Sphinix, proclama-se herdeiro de Marcelo Motta. Isto não é verdadeiro. No testamento de Marcelo Motta estão nomeados apenas três pessoas: Claudia Canuto, uma dessas três pessoas, renunciou. A renuncia foi formalizada em documento assinado em 21 de dezembro de 1989, nos seguintes termos:
“Eu Claudia Canuto de Menezes, do Brasil, não aceito nenhuma parte de uma custódia de bens de três partes que nomeou Daniel Bem Stone, dos Estados Unidos, Willian Robert Barden, da Austrália, e eu, entitulada Escritura de Bens e assinada por Marcelo Ramos Motta, do Brasil, em 15 de outubro de 1984”
Amor é a lei amor sob vontade
Assinatura
Robert Barden criou a “Fundação Parzival XIº”, na Austrália, e Daniel Bem Stone se dia, atualmente, o único real seguidor de Marcelo Ramos Motta, no que diz respeito à A.´.A.´..
Recentemente, Claudia Canuto, pronunciou-se sobre alguns pontos referente a Fra. Zarathustra, em carta datada de outubro de 2000, dirigida ao Sr. Marcelo Santos. Ali está escrito:
“Talvez as pessoas perguntem porque ninguém foi apontado para a chefia da Society Ordo Templi Orientis por Canuto e Barden (este logo quis por as mãos na Sociedade, sem se importar com que os outros pensavam: eu digo, porque ninguém estava apto pra isso”
E pressegue:
“Uma das poucas pessoas de quem Marcelo Ramos Motta se orgulhava era alguém conhecido como Frater Zaratustra, na O.T.O. e como Frater Thor na A.´.A.´. (sei que você sabe de quem estou falando, mas prefiro me referir a ele desta maneira, por respeito ao fato de ele ter sido meu primeiro instrutor). Alguns meses antes de falecer me indicou que Zaratustra tinha sido treinado como um soldado e que só um soldado saberia como conduzir a tropa quando ele se tornasse coronel...”
Segundo um comentarista cujo nome não foi divulgado, “em 21 de dezembro de 1987 Claudia Canuto desligous-e de Barden e Stone, e trouxe David Berson (Sphinix) que viveu com ela. Berson, segundo fui informado, recebeu treino de Richard Gernon Jr. (1949-1989), que também iniciou Martin Starr, de J.D.Gunther e do próprio Marcelo Motta. Berson revelou líder da O.T.O., Xº, “Frater Superior do Mundo Inteiro”. Ray Eales encaminhou, para a A.´.A.´. Barden, Stone e também W. Heidrick, este espulso por Berson, que acusou Stone de ter exumado o corpo de Motta incinerando-o. (Esta afirmativa não tem sentido algum, é uma mentira sem limites. Marcelo Motta foi enterrado na Cidade de Teresópolis. Depois de passados cinco anos seus ossos exumados e colocados no ossuário do cemitério daquela cidade. Eu mesmo estive no local em 1994. Berson também expulsou Willian Barden da O.T.O. e da A.´.A.´. (outra grande mentira: uma das regras da A.´.A.´. é que Ordem não expulsa ninguém. Ela apenas corta os laços com os discípulos que não seguem as regras ou que não honram seu Juramento) em setembro de 1988. De sua parte, Barden, expulsou Satone, apropriou-se dos arquivos de Motta e criou a Fundação Parzival XIº, nos inícios dos anos 90, na Austrália.
Em 1985, dois anos antes de sua morte, Marcelo retornou ao Brasil já com a saúde abalada, segundo informações de terceiros. Seu testamento deixa, como já dito, a responsabilidade da S.O.T.O. nas mãos de Claudia, Brden e Daniel. Este mesmo documento descreve Martin Starr como traidor.
Martin Starr iniciou-se na A.`.A.`. (atravéz Guenon) em 1976, assumindo o moto “Meithras”. Durante algum tempo destacou-se como um favorito estudante de Motta. Em 1979 tornou-se “Diretor” de seu próprio ramo da O.T.O.
Entretanto, janeiro de 1985, Starr, subitamente virou-se para o “vitorioso” Caliphado, após Motta perder seu caso contra Samuel Weiser em 1984. Ele justifica esta mudança de lado dizendo que Motta perdera su objetividade. Sem dúvida alguma, foi graças aos depoimentos de Starr, em tribunal, que o Caliphado ganhou a causa contra Marcelo Motta. Enquanto W. Breeze, agora usando toda oportunidade de apresentar Starr como leal ao Caliphado, Starr questionava seriamente o Caliphado, estabelecendo que este tinha pouco uso para ele como uma organização. Suas idéias de quem realmente deveria ser o O.H.O. são bastante claras: Metzger, embora adicionasse que “Agora acredito que Germer, em seu leito de morte, pretendia apontar Marcelo Motta como o O.H.O.”
O panorama nos Estados Unidos da América é mais ou menos este: temos o Caliphado de McMurtry, agora liderada por Hymenaeus Beta, que é a organização que possui o maior número de membros (no entanto é dito que quantidade não é qualidade). Em seguida vem David Berson, liderando a S.O.T.O. (existe outra S.O.T.O., liderada por Barden na Austrália e, finalmente Ray Eales, dirigindo a H.O.O.R. . Claro que existem outras organizações menores (“Thelemicas”) dizendo-se a verdadeira O.T.O., mas que não apresentam a menor importância no contexto geral para nosso trabalho. Ray Eales sendo o único que não deu à sua organização o nome Ordo Templi Orientis. Não discordo que ele seja um adiantado estudante, mas somente em um estrito limite, que se encontra em sua habilidade de dizer um monte de coisa alguma.
Na Inglaterra reina Kenneth Grant com sua O.T.O. “Typhoniana”.
No período de 1975 a 1986, envolvi-me, por várias circunstâncias, com a O.T.O. Typhoniana, liderada por Fra. Aossic Aiwass (K.G.), na Inglaterra. É dito ser a meta da organização inglesa transformar a O.T.O. em um alto e especializado veículo de energia mágica que Aleister Crowley havia intuído desde 1945. Mas, na verdade, a idéia inicial de Kenneth Grant era fazer uma reforma na O.T.O., seguindo os próprios ditame de Crowley a seu sucessor Carl Germer. Esta reforma foi feita e deu à O.T.O. uma grande semelhança com a A.`.A.`. (mas só semelhança). Esta idéia inicial foi desviada para caminhos exóticos. Nestes caminhos, Kenneth Grant, insiste em tomar o ficcional Necronomicon, de Lovecraft, e o inteiro mito que ele criou, de maneira séria, a respeito do fato de que o próprio Lovecraft, em inúmeras ocasiões, tenha dito claramente que toda sua literatura não passava de fantasia. O famoso Necronomicon é um livro criado por um dos mestres da Literatura Fantástica e de Horror. Howard Phillips Lovrecraft (1890-1937). Ele, juntamente com o chamado “Círculo de Lovecraft” (amigos e escritores dedicados ao gênero fantástico) criaram o universo literário conhecido como “O Mitos de Cthulhu”, no qual um dos elementos principais é o Necronomicon. Livro maldito onde se relata a origem e advento dos “Primitivos” mediante parábolas e profecias, assim como as fórmulas, símbolos arcanos, etc., para tira-los de sua letargia provocada pelos “Arquétipos”. O título original do Necronomicon e´ Al Azif. Azif é uma palavra árabe que designa um ruído noturno (produzido por insetos) que se supõe ser o uivo do demônio.
No entanto, Grant, clama que Lovecraft inconscientemente entrou em contato com um tipo de “grimório primitivo”, e por isso passou a identificar os “Secretos Chefes” ou “Mestres ocultos” com os “Antigos” da ficção de Lovecraft, primitivos monstros extra-dimensionais de uma inumana e oculta natureza, cuja única razão de procurar entrar ou re-entrar nossa dimensão, seria para destruir a humanidade e tudo que nos é mais caro, para gratificar seus monstruosos egos. Grande material para ficção. Mas as criações ficcionais de Lovecraft são antíteses dos Chefes Secretos. O que Grant tem procurado fazer com Thelema (e a O.T.O. em particular) é, praticamente, a mesma coisa que “satanistas” têm feito ao Cristianismo (e outras religiões e filosofias esotéricas) – revirá-las de pernas para o ar, e de dentro para fora, para servir seu querido ego pessoal e as forças qliphoticas que o dominam. Suas mudanças não são aquelas que Crowley intuiu para a O.T.O.: é o reverso disto, a perversão de Thêlema. E nada do que Grant fez durante décadas seria sancionado por Crowley ou Karl Germer.
Infelizmente aqui no Brasil, existem grupos que sancionam a O.T.O. Typhoniana e, ainda mais, procuram estabelece-la em nosso solo a revelia do aval de Kenneth Grant. Particularmente, devo lembrar a um desses grupos o que o próprio Grant declarou recentemente a respeito de ligações suas com organizações brasileiras (a declaração é datada de 25 de outubro de 1999, e está assinada por ele, Michael Stanley e uma Sóror Artemis).
“New Isis Lodge was founded by Grant in the year 1955 e.v.
as a cell of the Ordo Templi Orientis (O.T.O.). The Lodge
ceased functioning in the year 1962 e.v.. Since that date claims
all the Lodge´s continued manifestation or it revival, are
invalid”
Pelo aqui escrito poderemos avaliar afirmativas oriundas de um certo grupo, quando afirma estar em “contato” com Kenneth Grant ou com o filho deste. Mas não com Michael Stanley que é o substituto oficial de Grant.
Mas, de uma certa forma, este grupo nos favorece, sobre maneira, em sua fúria de se tornar conhecido nas paragens thelemicas, expondo alguns fatos como, por ecemplo, a respeito da Loja Nova Isis, existente no Brasil. Segundo este grupo “... essa não segue realmente os preceitos da OTO Typhoniana. Eu descobri isto porque em sua cronologia dos graus existe um Grau Minerval, grau estrito do Caliphado”. De fato, a mania de alguns “thelemitas” se afirmarem isso e aquilo, ou se dizerem estar ligados a este ou aquele ramo da O.T.O., mas sem estar, tem criado inúmeros problemas. Alguns desses arrolando o próprio autor deste texto. Neste caso foi preciso que um dos colegas do autor publicasse uma circular, para estabelecer e terminar com certas maquinações que, de uma maneira ou de outra, criaram um clima de desagrado entre ele e os dirigentes da O.T.O. Typhoniana. O arquiteto desta maquinação ignóbil não teve outra meta senão criar mais uma confusão entre thelemitas. Mais um problema que se adiciona a vários outros no contexto da O.T.
POR
Frater T.
(Euclydes Lacerda de Almeida)
O problema para thelemitas não é nenhuma força externa. Nosso inimigo não é o Catolicismo Romano, ou o Judaísmo, ou o Budismo, ou o Protestantismo, ou as Seitas Evangélicas. Os inimigos de Thelema são aqueles indivíduos ou grupos que, pretendendo serem thelemitas, enganam as pessoas, estudantes, e se degladiam entre si, cada qual dizendo-se ser o possuidor da verdade.
Existem fortes indícios de que um número bastante significativo de pessoas estejam desiludidas, tanto das religiões organizadas como com a Ciência. Muitos dos que assim se encontram desiludidos voltaram-se para o Ocultismo e para o Misticismo, na esperança de encontrarem a verdade, e um significado maior para a Vida. Eles o fazem na crença de que o conhecimento direto da Ordem Cósmica e Iluminação é possível.
No caótico e materialista mundo da atualidade, das megápolis, das multinacionais, da globalização, do terrorismo internacional e da violência urbana, talvez seja uma incongruência falara de Ordens Mágicas, Fraternidades Místicas, Iniciação, etc. Porém, sob outro ponto de vista, isto também seja um engano, uma falta de perspectiva pois, assim penso, jamais em tempo algum o homem, ontologicamente falando, necessitou tanto de tais coisas, já que filosofias e religiões falharam em suas em suas metas; as últimas traindo seus propósitos originais, transformaram-se em empresas niveladas àquelas multinacionais, onde a primordial meta é o poder financeiro e político. Isto é, as diversas religiões optaram pelo poder temporal já que perderam, há muito tempo, o espiritual. Isto sacrificou a real procura da consecução espiritual em todos os níveis, e o re-ligare, que o real significado da palavra religião, tornou-se uma ilusão, onde homens e mulheres perdem seus verdadeiros valores como seres conscientes, e se ajoelham e se rastejam, de maneira ignóbil, ante “deuses demônios”, criados pela insensatez humana na procura de um remédio, mesmo que seja um entorpecente, para amenizar a dor que, provavelmente seja o fruto de sua própria ignorância.
Infelizmente, até onde posso avaliar, o mesmo fenômeno ocorre no âmbito das ordens mágicas, das fraternidades místicas e, até mesmo no próprio esoterismo visto como um todo, resultando na assunção de caminhos estranhos às suas intrínsecas naturezas. Particularizando minhas observações posso afirmar que o mesmo fenômeno ocorre da O.T.O., numa escala assustadoramente acentuada e crescente nos últimos anos, embora o fato seja cinicamente negado por algumas pessoas, e determinados grupos que, enceguecidos pela vaidade de seus egos inflamados, fecham os olhos para as realidades estampadas no contexto atual. São tolos tentando resolver equações do terceiro grau usando fórmulas inadequadas da Aritmética; isto é, tentam fazer “magick” sem levar em conta os teoremas da Natureza mesma. Entretanto, necessito justificar-me perante os leitores, por insistir neste tão discutido assunto, mas ainda não devidamente discutido e analisado. Faltam detalhes encobertos por grupos e pessoas agindo em defesa de seus interesses particulares, sem levar em conta aqueles de outros tantos estudantes que têm o sagrado direito de saber onde se encontra a verdade. Disso minha insistência.
Hoje, por vários motivos, imitações da O.T.O. liderada por Crowley têm surgido, e em grande número no mapa do contexto brasileiro e em outras terras. Abro aqui um parêntesis para esclarecer que a O.T.O. original não é aquela liderada por Crowly. A maioria das Lojas da O.T.O. original recusou-se a aceitar a Lei de Thêlema que surgiu em 1904, enquanto que a Ordem original foi criada em 1895 por Karl Kellner. Fim do parêntesis.
Isto parece ser um mistério: qual o motivo de surgirem tantas O.T.Os (criadas nesta avalanche de tolices surgidas à sombra de Thêlema)? A resposta é simples: ao que parece, todos dissidentes destas organizações tiveram, e ainda têm, o mau hábito de criar outras tantas organizações, levando o mesmo nome, para satisfazerem seus egos inflamados e feridos. Organizações espúrias; elas mesmas se auto-enganando e enganando os outros, no que diz respeito às suas realidades e às suas reais naturezas. Este fato assumiu tal grandeza, que sou forçado a concordar com certos pontos de vista existentes em um artigo denominado “Coroas de Papel”, escrito por uma ilustre estudiosa do assunto, muito embora ela lidere uma O.T.O. que, sob meu ponto de vista, não é a continuação daquela liderada por Crowley e, posteriormente por Karl Germer (Farter Merlim).
Neste contexto a que me reporto, destaco o parágrafo no qual esta estudiosa critica os “Rex Summus Sanctíssimus”, O.H.Os, Líderes, etc., surgidos no âmbitos das O.T.Os., criadas a toque de caixa em nossa terra e lá fora, por dissidentes inconformados – ordens dissidentes das dissidentes das dissidentes, e, assim, ad infinitum. Desejo, também, aqui esclarecer porque considero também a organização desta senhora como uma pseudo O.T.O. Minha afirmativa se estabelece no fato – conhecido por todos – que tal organização, chamada “Caliphado” (nome que não possui qualquer ligação com a O.T.O. Crowleyana ) mascarado como sendo a O.T.O. verdadeira, é um menstruo surgido pela pseudo autoridade de um tal “Himenaeus Alpha”, um homem que desejou ser admirado, carente de elogios, escravo de muitas outras coisas, que aguardou a morte de Crowley e Germer, seus superiores hieráquicos, para poder, sem quaisquer interferências superiores, realizar seus idióticos projetos: tomar posse de uma Ordem já em decadência, cujos membros largaram todo trabalho de valor, morreram ou se desligaram da organização.
O “Caliphado” representa uma grotesca imitação da O.T.O. Thelêmica. A O.T.O. passou para os planos internos desde a morte de Frater Saturnus XIº (Germer). A própria organização de Parzival XIº - o mais destacado discípulo de Germer – que tentou estabelecer, em nosso país, minguou, e também dividiu-se em várias facções antagônicas após a morte dele. Claro, cada uma delas dizendo-se única, verdadeira, etc. Neste grupo temos a S.O.T.O., com sede (se ainda existe) em Ribeirão Preto (S.P.), liderada por Fra. Libra (não tenho certeza e esta organização ainda está ativa). Outra S.O.T.O. (USA) liderada por uma Fra. Sphinix (David Berson). Sphinix, proclama-se herdeiro de Marcelo Motta. Isto não é verdadeiro. No testamento de Marcelo Motta estão nomeados apenas três pessoas: Claudia Canuto, uma dessas três pessoas, renunciou. A renuncia foi formalizada em documento assinado em 21 de dezembro de 1989, nos seguintes termos:
“Eu Claudia Canuto de Menezes, do Brasil, não aceito nenhuma parte de uma custódia de bens de três partes que nomeou Daniel Bem Stone, dos Estados Unidos, Willian Robert Barden, da Austrália, e eu, entitulada Escritura de Bens e assinada por Marcelo Ramos Motta, do Brasil, em 15 de outubro de 1984”
Amor é a lei amor sob vontade
Assinatura
Robert Barden criou a “Fundação Parzival XIº”, na Austrália, e Daniel Bem Stone se dia, atualmente, o único real seguidor de Marcelo Ramos Motta, no que diz respeito à A.´.A.´..
Recentemente, Claudia Canuto, pronunciou-se sobre alguns pontos referente a Fra. Zarathustra, em carta datada de outubro de 2000, dirigida ao Sr. Marcelo Santos. Ali está escrito:
“Talvez as pessoas perguntem porque ninguém foi apontado para a chefia da Society Ordo Templi Orientis por Canuto e Barden (este logo quis por as mãos na Sociedade, sem se importar com que os outros pensavam: eu digo, porque ninguém estava apto pra isso”
E pressegue:
“Uma das poucas pessoas de quem Marcelo Ramos Motta se orgulhava era alguém conhecido como Frater Zaratustra, na O.T.O. e como Frater Thor na A.´.A.´. (sei que você sabe de quem estou falando, mas prefiro me referir a ele desta maneira, por respeito ao fato de ele ter sido meu primeiro instrutor). Alguns meses antes de falecer me indicou que Zaratustra tinha sido treinado como um soldado e que só um soldado saberia como conduzir a tropa quando ele se tornasse coronel...”
Segundo um comentarista cujo nome não foi divulgado, “em 21 de dezembro de 1987 Claudia Canuto desligous-e de Barden e Stone, e trouxe David Berson (Sphinix) que viveu com ela. Berson, segundo fui informado, recebeu treino de Richard Gernon Jr. (1949-1989), que também iniciou Martin Starr, de J.D.Gunther e do próprio Marcelo Motta. Berson revelou líder da O.T.O., Xº, “Frater Superior do Mundo Inteiro”. Ray Eales encaminhou, para a A.´.A.´. Barden, Stone e também W. Heidrick, este espulso por Berson, que acusou Stone de ter exumado o corpo de Motta incinerando-o. (Esta afirmativa não tem sentido algum, é uma mentira sem limites. Marcelo Motta foi enterrado na Cidade de Teresópolis. Depois de passados cinco anos seus ossos exumados e colocados no ossuário do cemitério daquela cidade. Eu mesmo estive no local em 1994. Berson também expulsou Willian Barden da O.T.O. e da A.´.A.´. (outra grande mentira: uma das regras da A.´.A.´. é que Ordem não expulsa ninguém. Ela apenas corta os laços com os discípulos que não seguem as regras ou que não honram seu Juramento) em setembro de 1988. De sua parte, Barden, expulsou Satone, apropriou-se dos arquivos de Motta e criou a Fundação Parzival XIº, nos inícios dos anos 90, na Austrália.
Em 1985, dois anos antes de sua morte, Marcelo retornou ao Brasil já com a saúde abalada, segundo informações de terceiros. Seu testamento deixa, como já dito, a responsabilidade da S.O.T.O. nas mãos de Claudia, Brden e Daniel. Este mesmo documento descreve Martin Starr como traidor.
Martin Starr iniciou-se na A.`.A.`. (atravéz Guenon) em 1976, assumindo o moto “Meithras”. Durante algum tempo destacou-se como um favorito estudante de Motta. Em 1979 tornou-se “Diretor” de seu próprio ramo da O.T.O.
Entretanto, janeiro de 1985, Starr, subitamente virou-se para o “vitorioso” Caliphado, após Motta perder seu caso contra Samuel Weiser em 1984. Ele justifica esta mudança de lado dizendo que Motta perdera su objetividade. Sem dúvida alguma, foi graças aos depoimentos de Starr, em tribunal, que o Caliphado ganhou a causa contra Marcelo Motta. Enquanto W. Breeze, agora usando toda oportunidade de apresentar Starr como leal ao Caliphado, Starr questionava seriamente o Caliphado, estabelecendo que este tinha pouco uso para ele como uma organização. Suas idéias de quem realmente deveria ser o O.H.O. são bastante claras: Metzger, embora adicionasse que “Agora acredito que Germer, em seu leito de morte, pretendia apontar Marcelo Motta como o O.H.O.”
O panorama nos Estados Unidos da América é mais ou menos este: temos o Caliphado de McMurtry, agora liderada por Hymenaeus Beta, que é a organização que possui o maior número de membros (no entanto é dito que quantidade não é qualidade). Em seguida vem David Berson, liderando a S.O.T.O. (existe outra S.O.T.O., liderada por Barden na Austrália e, finalmente Ray Eales, dirigindo a H.O.O.R. . Claro que existem outras organizações menores (“Thelemicas”) dizendo-se a verdadeira O.T.O., mas que não apresentam a menor importância no contexto geral para nosso trabalho. Ray Eales sendo o único que não deu à sua organização o nome Ordo Templi Orientis. Não discordo que ele seja um adiantado estudante, mas somente em um estrito limite, que se encontra em sua habilidade de dizer um monte de coisa alguma.
Na Inglaterra reina Kenneth Grant com sua O.T.O. “Typhoniana”.
No período de 1975 a 1986, envolvi-me, por várias circunstâncias, com a O.T.O. Typhoniana, liderada por Fra. Aossic Aiwass (K.G.), na Inglaterra. É dito ser a meta da organização inglesa transformar a O.T.O. em um alto e especializado veículo de energia mágica que Aleister Crowley havia intuído desde 1945. Mas, na verdade, a idéia inicial de Kenneth Grant era fazer uma reforma na O.T.O., seguindo os próprios ditame de Crowley a seu sucessor Carl Germer. Esta reforma foi feita e deu à O.T.O. uma grande semelhança com a A.`.A.`. (mas só semelhança). Esta idéia inicial foi desviada para caminhos exóticos. Nestes caminhos, Kenneth Grant, insiste em tomar o ficcional Necronomicon, de Lovecraft, e o inteiro mito que ele criou, de maneira séria, a respeito do fato de que o próprio Lovecraft, em inúmeras ocasiões, tenha dito claramente que toda sua literatura não passava de fantasia. O famoso Necronomicon é um livro criado por um dos mestres da Literatura Fantástica e de Horror. Howard Phillips Lovrecraft (1890-1937). Ele, juntamente com o chamado “Círculo de Lovecraft” (amigos e escritores dedicados ao gênero fantástico) criaram o universo literário conhecido como “O Mitos de Cthulhu”, no qual um dos elementos principais é o Necronomicon. Livro maldito onde se relata a origem e advento dos “Primitivos” mediante parábolas e profecias, assim como as fórmulas, símbolos arcanos, etc., para tira-los de sua letargia provocada pelos “Arquétipos”. O título original do Necronomicon e´ Al Azif. Azif é uma palavra árabe que designa um ruído noturno (produzido por insetos) que se supõe ser o uivo do demônio.
No entanto, Grant, clama que Lovecraft inconscientemente entrou em contato com um tipo de “grimório primitivo”, e por isso passou a identificar os “Secretos Chefes” ou “Mestres ocultos” com os “Antigos” da ficção de Lovecraft, primitivos monstros extra-dimensionais de uma inumana e oculta natureza, cuja única razão de procurar entrar ou re-entrar nossa dimensão, seria para destruir a humanidade e tudo que nos é mais caro, para gratificar seus monstruosos egos. Grande material para ficção. Mas as criações ficcionais de Lovecraft são antíteses dos Chefes Secretos. O que Grant tem procurado fazer com Thelema (e a O.T.O. em particular) é, praticamente, a mesma coisa que “satanistas” têm feito ao Cristianismo (e outras religiões e filosofias esotéricas) – revirá-las de pernas para o ar, e de dentro para fora, para servir seu querido ego pessoal e as forças qliphoticas que o dominam. Suas mudanças não são aquelas que Crowley intuiu para a O.T.O.: é o reverso disto, a perversão de Thêlema. E nada do que Grant fez durante décadas seria sancionado por Crowley ou Karl Germer.
Infelizmente aqui no Brasil, existem grupos que sancionam a O.T.O. Typhoniana e, ainda mais, procuram estabelece-la em nosso solo a revelia do aval de Kenneth Grant. Particularmente, devo lembrar a um desses grupos o que o próprio Grant declarou recentemente a respeito de ligações suas com organizações brasileiras (a declaração é datada de 25 de outubro de 1999, e está assinada por ele, Michael Stanley e uma Sóror Artemis).
“New Isis Lodge was founded by Grant in the year 1955 e.v.
as a cell of the Ordo Templi Orientis (O.T.O.). The Lodge
ceased functioning in the year 1962 e.v.. Since that date claims
all the Lodge´s continued manifestation or it revival, are
invalid”
Pelo aqui escrito poderemos avaliar afirmativas oriundas de um certo grupo, quando afirma estar em “contato” com Kenneth Grant ou com o filho deste. Mas não com Michael Stanley que é o substituto oficial de Grant.
Mas, de uma certa forma, este grupo nos favorece, sobre maneira, em sua fúria de se tornar conhecido nas paragens thelemicas, expondo alguns fatos como, por ecemplo, a respeito da Loja Nova Isis, existente no Brasil. Segundo este grupo “... essa não segue realmente os preceitos da OTO Typhoniana. Eu descobri isto porque em sua cronologia dos graus existe um Grau Minerval, grau estrito do Caliphado”. De fato, a mania de alguns “thelemitas” se afirmarem isso e aquilo, ou se dizerem estar ligados a este ou aquele ramo da O.T.O., mas sem estar, tem criado inúmeros problemas. Alguns desses arrolando o próprio autor deste texto. Neste caso foi preciso que um dos colegas do autor publicasse uma circular, para estabelecer e terminar com certas maquinações que, de uma maneira ou de outra, criaram um clima de desagrado entre ele e os dirigentes da O.T.O. Typhoniana. O arquiteto desta maquinação ignóbil não teve outra meta senão criar mais uma confusão entre thelemitas. Mais um problema que se adiciona a vários outros no contexto da O.T.
